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Abismo


A rachadura no espelho sussurra.
A sombra afaga.
Nos espaços, meu cansaço. 

Teias de razão.
Sentimentos fogem.
A alma emudeceu.
A felicidade: sonho que guardo. 

Sou o paradoxo.
Aperto no peito.
Navego em escuros.
Decifro o enigma. 

A lenda perdeu-se.
Minha cela, meus dogmas.
O compasso falha.
Cada tempo: meu reflexo. 

O abismo sorri. Eu o olho.
A fome vem após o jantar.
E eu sirvo. Sou o remédio e o veneno.
Amo. E adoro o sabor do teu espanto.
Sou a carícia cruel que nunca para.
E um sol engasgado na boca.  

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