Meu olho é um lago quieto.
Afogas meu sulco.
És o peixe, eu o anzol.
Sussurro vinho e sangue.
Teus segredos cristalizam
no copo que partilhamos.
Esta casa é minha jaula.
Inalas meu nevoeiro.
Vês meu lábio multiplicar-se.
Me chamas de rude. Eu sorvo
tua fé como um néctar gelado.
Sou dócil sobre o colchão.
Escrevo poemas com velas.
O mundo é um gelo fino
que pisamos em silêncio.
Durmo em teu peito aberto.
Voltei porque escreveste
meu nome no sal.
Habito teu sono como um espinho.
E quando despertares,
com meu hálito em tua boca,
verás no espelho:
meu sorriso é teu novo contorno.
E a cama, agora vazia,
ainda guarda o calor
do corpo que nunca foi teu.